Os Conselhos Regionais de Contabilidade (CRCs) de todo o Brasil realizaram, entre os dias 21 e 22 de novembro, a votação para eleição de chapas visando à renovação de parte do plenário. No Rio Grande do Sul, venceu a Chapa 1, composta por 18 integrantes titulares e outros 18 suplentes, e coordenada pela contadora Ana Tércia Lopes Rodrigues, que atualmente é vice-presidente de Gestão do CRCRS.
Paralelamente, esta é a primeira vez em que o grupo vencedor tem uma mulher na coordenação, o que também aumenta a probabilidade de que a presidência seja, de forma inédita, ocupada por uma pessoa do gênero feminino.
A posse dos novos conselheiros, e a consequente renovação de 2/3 do plenário atual, ocorre em janeiro. Após, durante a primeira plenária do grupo, ocorre a eleição do novo Conselho Diretor.
JC Contabilidade – Quais são as principais pautas defendidas pela chapa vencedora?
Ana Tércia Lopes Rodrigues – A Chapa 1, por ser uma chapa de situação, tem a proposição de dar andamento aos projetos que já têm sido desenvolvidos pela composição do conselho, mas sempre buscando uma ampliação de ações. Uma dessas ações é relacionada à educação continuada, porque a classe vem sendo muito demandada para se atualizar, e o conselho tem o papel de ajudar a promover essa capacitação. O conselho hoje atua como uma entidade que mantém interlocução política com as principais entidades e, nos últimos anos, buscamos posicionar o conselho de forma muito próxima a entidades representativas. Queremos, a partir de agora, também aproximar as demandas dos profissionais do conselho para que elas sejam ouvidas de uma forma diferente. Vemos que os profissionais se sentem carentes devido à enorme cobrança em relação ao cumprimento de obrigações acessórias e, ao mesmo tempo, sentem necessidade de serem mais ouvidos, de terem suas demandas atendidas de formas diferenciada, principalmente pelo Fisco. Isso é um dos objetivos que a gente tem: melhorar esse relacionamento do profissional com os órgãos de controle, com o Fisco, para que o desempenho profissional também seja facilitado.
Contabilidade – A ideia é focar a aproximação com o Fisco?
Ana Tércia – Hoje, todos os aspectos da economia, incluindo o empreendedorismo, passam pelas mãos do profissional contábil, e isso merece ser tratado de forma adequada também por quem elabora a legislação, por quem define as exigências. Queremos estar mais próximos na hora em que essas decisões são tomadas para que os profissionais tenham sua atividade facilitada. Não estamos pedindo benefício. Queremos executar nossa atividade profissional de uma forma em que sejam respeitados os limites. Só para te dar um exemplo, a Receita Federal, daqui a pouco, lança uma obrigatoriedade de uma nova declaração que tem de ser entregue e, às vezes, o sistema não está parametrizado adequadamente. O prazo é modificado na última hora, e tudo isso gera transtorno aos profissionais, que, muitas vezes, não são ouvidos.
Contabilidade – A necessidade de qualificação constante é um desafio. Como o CRCRS pretende ampliar as formações e chegar a mais profissionais?
Ana Tércia – A educação continuada, há uns 10 ou 15 anos, era uma recomendação. Hoje, para alguns segmentos da profissão, como a auditoria, já é uma realidade. 2018 será o primeiro ano em que os peritos contábeis vão precisar cumprir a educação continuada obrigatória. Isso gera uma demanda por parte de diferentes áreas de atuação profissional. A proposta da nossa chapa é no sentido de intensificar treinamentos, aumentar o credenciamento de entidades que queiram fazer parcerias e se tornarem capacitadoras, e ampliar a ofertas de cursos, inclusive na modalidade de ensino a distância, em que ganhamos capilaridade com menor custo e permite aos profissionais adequarem suas condições de tempo e horário. Há também outras demandas que consideramos importantes, como melhorar essa interlocução com os diferentes segmentos da profissão.
Contabilidade – Quais são os planos da nova gestão?
Ana Tércia – Estamos estudando a possibilidade de criar alguns novos nichos de discussão, em que profissionais possam ser representados para discutir determinadas situações que estão surgindo. Quatro anos dentro da contabilidade é um período de tempo curto, mas, em termos de modificação, acontece muita coisa. A estrutura que temos hoje foi projetada quatro anos atrás. A partir de agora, a gente já quer projetar não só os quatro anos, mas os 10 anos seguintes. Entendemos que são necessárias modificações na estrutura de comissões, já temos demandas de comissão que precisaremos criar, mas eu prefiro não divulgar. Principalmente, precisamos pensar em mudanças tecnológicas que facilitem a relação do conselho com os profissionais. Sentimos, durante esse tempo de campanha, a quantidade de pessoas que, na última hora, não estavam sabendo sobre o processo eleitoral e às quais as informações não estão chegando. É inadmissível, na época em que estamos vivendo, com tantos avanços tecnológicos, termos pessoas desinformadas. A gente teve dificuldade de chegar a determinados grupos e profissionais por falha de comunicação, e isso é inadmissível. Vamos trabalhar incansavelmente para encontrar ferramentas que permitam que, com baixo custo, a gente consiga ter comunicação direta com os profissionais.
Contabilidade – Temos, enquanto sociedade, defendido a importância de as mulheres ocuparem espaços de poder. As mulheres são 42% do total de profissionais contábeis brasileiros, porém ainda são minoria nos locais de tomada de decisão. Como vocês chegaram ao seu nome para coordenação da chapa e qual a importância de estar no papel de protagonista?
Ana Tércia – Nós tínhamos um receio sobre como a classe iria encarar essa proposição de chapa, com uma coordenadora e por sermos um grupo que tem esse apelo. Temos o maior número de mulheres na chapa e um projeto de protagonismo para as mulheres dentro da contabilidade, que entendemos como a necessidade de assumir destaque e liderança na profissão. A resposta das urnas foi excelente, o que demonstra que a classe está preparada para ter uma mulher na presidência do conselho – proposta deixada bem clara durante a campanha. Parece que a classe entendeu, aceitou e respondeu favoravelmente. Nossa profissão é tradicional e conservadora, mas não atrasada nem preconceituosa. Como a sociedade, estamos buscando novos valores para a nossa profissão, novas referências de liderança. Eu me sinto muito lisonjeada por meu nome ter sido aceito pela classe para liderar esse projeto de quebra de paradigmas e para trabalhar dentro um modelo de gestão com liderança feminina que, aqui no Sul pelo menos, ainda não foi testado no conselho. Um dos motivos dessa aceitação é o fato de eu ter uma trajetória de 26 anos dentro do conselho, em que iniciei como funcionária, por 10 anos, saí e, quando entrei para compor uma chapa, já assumi como vice-presidente. A construção foi natural, não foi forçada.
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